| |

| |
Programa de Matemática
Informe à Imprensa 01/2003 - 01/03/2002
|
MATEMÁTICA
Conhecimentos matemáticos são aplicados na interpretação
de fenômenos, em diferentes áreas da ciência, nas atividades
tecnológicas e cotidianas. O cidadão necessita da capacidade
de leitura e interpretação de informações por
gráficos ou outras formas de linguagem matemática, de percepção
da coerência ou não de uma argumentação, bem
como da competência para formular suas próprias idéias
de forma consistente, para uma inserção crítica e
autônoma na sociedade contemporânea.
Dentro deste espírito, espera-se que o candidato demonstre possuir
domínio da linguagem básica e compreensão dos conceitos
fundamentais da Matemática, tratados no ensino fundamental e médio,
de forma a saber aplicá-los em situações diversas
e relacioná-los entre si e com outras áreas do conhecimento.
Ele deve saber reconhecer representações equivalentes de
um mesmo conceito, relacionar procedimentos associados às diferentes
áreas, analisar e valorizar informações provenientes
de diferentes fontes, utilizando ferramentas matemáticas para formar
uma opinião própria que lhe permita expressar-se criticamente
sobre problemas da Matemática, das outras áreas do conhecimento
e da realidade. Será priorizada a avaliação da capacidade
de raciocínio, sem dar ênfase à memorização
de fórmulas, à mecanização de técnicas
ou a cálculos excessivos, desvinculados de contexto significativo
ou de aplicações relevantes, dentro ou fora da Matemática.
Na 1a fase do vestibular, o objetivo é avaliar o candidato quanto
ao domínio e utilização da linguagem e quanto à
compreensão de conceitos e procedimentos da matemática elementar,
bem como quanto à capacidade de aplicá-los na resolução
de problemas.
Na 2a fase, além destes aspectos, pretende-se também
avaliar o candidato quanto ao domínio de conceitos, ferramentas
e procedimentos matemáticos necessários para o aprofundamento
de estudos em áreas de ciências exatas, bem como quanto á
capacidade de utilizá-los em situações-problema mais
abstratas.
PROGRAMA
1. CONCEITOS E RELAÇÕES NUMÉRICAS BÁSICAS
E APLICAÇÕES.
Conhecer os problemas nodais que impulsionaram a necessidade de ampliação
dos campos numéricos e dominar os conceitos básicos que deles
surgiram, proporciona, ao indivíduo, uma inserção
mais completa na cultura universal desenvolvida por homens e mulheres ao
longo da História.
O cidadão freqüentemente necessita lidar com dívidas
ou crediários, interpretar descontos, entender reajustes salariais,
escolher aplicações financeiras, etc. Daí a importância
da Matemática Financeira com suas aplicações práticas.
Sistemas lineares e matrizes são instrumentos da linguagem matemática
na modelação de situações-problema, além
de representarem técnicas de grande utilidade para outros domínios
da matemática de nível superior.
TÓPICOS
1.1. Números inteiros: compreensão dos algoritmos das
quatro operações fundamentais no sistema decimal de numeração,
divisibilidade e a decomposição em fatores primos.
1.2. Insuficiência dos números inteiros para a comparação
de grandezas e para medir partes de um todo: razões e proporções;
os números racionais; operações e a relação
de ordem entre números racionais; representação decimal
dos números racionais e sua relação com PG.
1.3. Insuficiência dos números racionais para medir segmentos
a partir de uma unidade fixada; o conceito de número irracional
e a representação decimal dos números reais.
1.4. Insuficiência dos números reais para a resolução
de equações algébricas de 2o e 3o graus; o conceito
de número complexo e suas representações - geométrica,
algébrica e trigonométrica; interpretação algébrica
e geométrica das operações e das raízes de
números complexos – raízes da unidade.
1.5. Matemática financeira como instrumento para a resolução
de problemas: os conceitos de porcentagem, juro simples e juro composto
e sua relação com PA e PG, respectivamente.
1.6. Sistemas lineares e matrizes como organização e sistematização
de informações; discussão e resolução
de sistemas lineares (de até 4 equações e até
4 incógnitas) por escalonamento ou por substituição
de variáveis.
2. GEOMETRIA
A utilização de conhecimentos geométricos para
leitura, compreensão e ação sobre a realidade tem
longa tradição na história da humanidade. É
inegável a importância de saber caracterizar as diferentes
formas geométricas e espaciais, presentes na natureza ou imaginadas,
através de seus elementos e propriedades, bem como de poder representá-las
por meio de desenho geométrico.
Na resolução de diferentes situações-problema,
seguramente se faz necessária uma boa capacidade de visão
geométrico-espacial, o domínio das idéias de proporcionalidade
e semelhança, a compreensão dos conceitos de comprimento,
área e volume, bem como saber calculá-los. Deve-se
salientar que a semelhança de triângulos permitiu o desenvolvimento
da trigonometria do triângulo retângulo, criada para solucionar
problemas práticos de cálculo de distâncias inacessíveis.
Por outro lado, as noções de semelhança e congruência
nos remetem também aos fundamentos da própria Geometria.
Saber utilizar as coordenadas cartesianas de pontos no espaço
possibilita a descrição de objetos geométricos numa
linguagem algébrica, ampliando consideravelmente os horizontes da
modelagem e da resolução de problemas geométricos,
por meio da interação entre essas duas áreas da matemática.
TÓPICOS
2.1. Características, elementos e propriedades geométricas
(tais que: vértices, arestas, lados, alturas, ângulos focos,
diretrizes, convexidade, número de diagonais,...) das seguintes
figuras planas e espaciais: polígonos, círculos, setores
circulares, elipses, parábolas, hipérboles, prismas, pirâmides,
esfera, cilindros, cones e troncos.
2.2. Congruência e Semelhança de figuras planas e espaciais.
Razões entre comprimentos, áreas e volumes de figuras semelhantes.
Teorema de Tales e aplicações: problemas envolvendo semelhança,
somas dos ângulos internos e externos de polígonos. Casos
de semelhança e congruência de triângulos e aplicações.
Trigonometria do triângulo retângulo como instrumento para
a resolução de problemas: seno, cosseno e tangente de ângulos
agudos como razão de semelhança nos triângulos retângulos.
2.3. Eixos e planos de simetrias de figuras planas ou espaciais. Reconhecimento
das secções planas de cones e as definições
de elipse, parábola e hipérbole como lugar geométrico.
Aplicações.
2.4. Relações métricas nas figuras geométricas
planas e espaciais. O teorema de Pitágoras: lei dos senos e cossenos,
aplicações em problemas bi e tridimensionais tais que: cálculo
de diagonais, alturas, raios, etc. Comprimentos (ou perímetros),
áreas (ou superfícies de sólidos) e volumes.
2.5. Construções com régua e compasso no plano:
retas perpendiculares e paralelas; mediatriz de segmento; divisão
de segmentos em partes proporcionais; bisseção de ângulos;
polígonos regulares (inscritos e circunscritos), triângulos
quaisquer (com a determinação de seus elementos). Problemas
de tangência, envolvendo circunferências.
2.6. Geometria Analítica: coordenadas cartesianas de pontos
no plano e no espaço. Distância entre pontos no plano e no
espaço e problemas bi e tridimensionais simples envolvendo esses
conceitos. Equações de retas no plano: significado dos coeficientes
na equação normal, paralelismo e perpendicularismo; distância
de ponto a reta. Equações de circunferências no plano:
reconhecimento do centro, raio, retas secantes e tangentes. Aplicações.
Equações e inequações a duas incógnitas
como representação algébrica de Lugares Geométricos
no plano.
3. FUNÇÕES
Mais recentes na História da Matemática do que os Números,
a Geometria ou a Álgebra, as funções têm um
papel de grande destaque no interior daquela disciplina por serem instrumentos
eficazes na modelagem de problemas reais ou imaginados e por fornecerem
formas eficiente de estudá-los. Assim, por exemplo, é importante
entender que fenômenos periódicos são descritos principalmente
com funções trigonométricas; que certas situações
de crescimento ou decrescimento rápido podem ser representadas por
funções exponenciais; que distâncias podem ser expressas
utilizando a função módulo e que a função
logaritmo surgiu para permitir simplificações no cálculo
de produtos ou potências dos números com muitos dígitos
que astrônomos ou navegadores necessitavam manipular, no século
XVI.
A linguagem gráfica, sob várias apresentações,
por sua comunicação direta e global, ganha cada vez mais
destaque na era da comunicação. Ganham, assim, relevância
especial não só a capacidade de leitura e interpretação
de gráficos funcionais, conferindo significado às variações
das grandezas envolvidas, mas também a competência de saber
analisá-los para estimar resultados e fazer previsões. Por
outro lado, no que tange à interação entre diferentes
áreas da própria Matemática, os gráficos funcionais
são ferramentas importantes para tornar mais significativas as resoluções
de equações e inequações algébricas.
TÓPICOS
3.1. A noção de função como instrumento
para lidar com variação de grandezas. Os conceitos de domínio
e imagem. Caracterizações e representações
gráficas e algébricas das seguintes funções:
funções módulo, polinomiais de 1o e 2o graus, raiz
quadrada, f(x)=xn, f(x)=1/x, f(x)=1/x², funções exponenciais
e logarítmicas (cálculo de valores aproximados em casos de
expoentes irracionais) e as funções seno, cosseno e tangente
(definições geométricas no ciclo trigonométrico
e valores nos arcos notáveis|) e suas transladadas. Aplicações.
3.2. Reconhecimento e interpretação de gráficos
de funções: domínio, imagem, valores destacados no
gráfico (máximos, mínimos, zeros), biunivocidade,
periodicidade, simetrias, intervalos de crescimento e decrescimento, análise
da variação da função. Aplicações
em situações-problema de contexto variado, incluindo estimativas
ou previsões de valores.
Equações e inequações envolvendo funções:
resoluções gráficas e algébricas. Identidades
funcionais importantes: princípio de identidade polinomial, produtos
notáveis e fatoração de polinômios, principais
identidades trigonométricas, propriedades básicas de logaritmos
e exponenciais. Desigualdade triangular para módulos. Aplicações
em situações-problema.
4. COMBINATÓRIA, PROBABILIDADE E ESTATÍSTICA.
O desenvolvimento do espírito crítico, da capacidade
de analisar e de tomar decisões, diante de vários tipos de
situações da vida em sociedade, exige do cidadão que
seja bem informado. Estatísticas e probabilidades estão cada
vez mais presentes nos meios de comunicações como forma de
apresentação de informações. Pesquisas de opinião,
pesquisas sobre preços, sobre epidemias e outros temas de interesse
social, ambiental ou econômico são noticiadas freqüentemente,
sempre permeadas de porcentagens ou outros indicadores, de gráficos,
tabelas e, não raro, inferindo conseqüências prováveis
e forjando opiniões.
Para poder interpretar de forma autônoma e crítica tais
informações, o indivíduo deve ser capaz de compreender
bem a linguagem pictográfica, compreender a importância da
amostra para as conclusões de uma pesquisa e ter claro que a atribuição
de probabilidades é, sobretudo, uma forma de quantificar a incerteza
quanto ao resultado a ser obtido. Em diferentes áreas e atividades
profissionais, são de grande utilidade as capacidades de reconhecer
o caráter aleatório de fenômenos, utilizar processos
de contagem em situações-problema, representar freqüências
relativas, construir espaços amostrais e calcular probabilidades.
Ressaltamos que, na resolução de problemas de contagem,
o importante é a habilidade de raciocínio combinatório.
É fundamental valorizar o desenvolvimento da capacidade de formular
estratégias para a organização dos dados em agrupamentos
que possam ser contados corretamente, tendo em vista que a mera aplicação
de fórmulas não nos permite resolver a maior parte dos problemas
de contagem.
TÓPICOS
4.1. Problemas de contagem: o princípio fundamental da contagem,
o princípio aditivo, a divisão como um processo de redução
de agrupamentos repetidos. Resolver problemas envolvendo a contagem de
diferentes tipos de agrupamentos. Binômio de Newton.
4.2. Probabilidade de um evento num espaço equiprovável:
construção de espaços amostrais finitos e representação
através de freqüências relativas. Probabilidade da união
e da interseção de eventos. Eventos disjuntos. O conceito
de independência de eventos. Probabilidade condicional. Aplicação
de probabilidade em situações-problema.
4.3. População e amostra. Estatística descritiva:
tratamento da informação obtida com a organização
e interpretação de dados em tabelas e gráficos.
Significado e aplicação de medidas de tendência central
(média mediana e moda) e de dispersão (desvio-médio,
desvio-padrão e variância).
Índice
|
|